Coca-Cola:

Não costumo abrir e-mails de corrente. Por muito favor, aliás, eu costumo abrir e-mails. Mais raro ainda é acontecer de eu receber um e-mail, mas enfim, hoje eu abri um e-mail desses de corrente. Claro que não era um de Nossa Senhora da Salmonela Saltitante, era falando (mal) do refrigerante guaraná Kuat. Aparentemente é melhor não tomar esse guaraná pois provoca problemas renais. Oh.

 

Viciado em Coca-Cola como eu, nem mesmo a Dani, minha namorada. Apesar dos boatos a respeito da Coca-Cola (desentope pia, vicia em cocaína, tinge o cabelo e corrói carne com apenas um gole) fui correr atrás de um assunto interessante: os malefícios do refrigerante. Afinal de contas todo mundo fala em malefícios das drogas, do cigarro, da bebida, mas e o refrigerante? Há algo que vicie e seja mais democrático do que o refrigerante e sua rainha-mãe, a Coca-Cola?

 

Uma pesquisa em português no Google sob o título “malefícios do cigarro” resulta em 453 páginas. Uma outra pesquisa “malefícios do refrigerante”  não resulta em nada. Nenhuma página sob esse título. Se quiser informações em português tem que correr muito atrás.

 

Dizem que Coca-Cola dá cárie, perda de memória, barriga, celulite, pêlos nas costas (perto de vossas bundas) e já li até flatulência. Também seria usado como método contraceptivo, com a mulher encaixando uma garrafa... (pausa) enfim, vocês entenderam. Pra saber o que é ou não verdade e mentira no mundo da Coca-Cola vou deixar aqui um link que pode servir como base na pesquisa “malefícios do refrigerante”, eis o sáite: clique aqui. 

Não bebo Kuat faz uns 4 anos, mas bebo muita Coca-Cola e todo dia. Sou viciado e não vai ser por um motivo ou outro que vou parar de beber. O alerta serve para quem quer mais informações sobre o refrigerante, afinal de um menininho de 9 meses até senhores de 123 anos, acho que todo mundo bebe Coca-Cola. Certo mesmo é que o que faz mal ao paladar é o refrigerante de uva. Aquilo sim deveria ser banido.


PS: Quero agradecer a cada um que tem vindo aqui dinamizar pontos de vista a cerca de meus textos. Cada um é importante e eu respondo todos os comentários do post anterior, basta clicar no link para ler. Ainda bem que estou cercado por gente de espírito crítico e que gosta de ler. Sei que meus textos são longos às vezes, mas é bom saber que me lêem como eu os leio: com o carinho de quem sabe ali tem um trabalho que é importante para alguém. Espero que além do blog, possa fazer amizade com alguns de vocês. Era isso.



 Consumado por Daniel às 10:26:58 AM
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"A não-vida de Budega de Sousa":

Ficou imaginando escrever sobre morte. Fazia meses que nada saía do seu caderno de brochura e o desenho da “Família Dinossauros” na capa denunciava que lá ia algum bom tempo que não escrevia uma linha. Não vivia disso. Era apontador do jogo do bicho na Dias da Cruz e conhecido pelos moradores da região como Budega. Não era dali, tinha vindo para o Rio junto com o fluxo migratório de paraibanos. Era de Sousa. Como ninguém conhecia Sousa, virou rapidamente o Budega de Sousa. Poeta e apontador do jogo do bicho no Méier.

 

Queria escrever mais um poema. Não largava o caderninho que tinha recebido da dona Fátima que jogando com ele, “ficou rica e foi morar na Zona Sul”, dizia orgulhoso. “Tá trabalhando só com gringo. Dizem que está todo dia na praia, até altas horas da noite... só pode ter ficado bacana, né?”, dizia com o mais carregado dos sotaques nordestinos. E entre um poema e outro, apontava o jogo e bebia. Bebia feito uma mula. Bebia tanto a ponto de algumas vezes acordar na praça e começar a fazer tai chi chuan com as velhinhas do projeto da Prefeitura. E só ficava de porre porque o texto não saia.

 

Budega ia ficando frustrado. Só faltava essa página de seu caderninho. Tentou diversas vezes começar a escrever e não saia nada. Visitava velórios e nada. Budega estava fadado a nunca terminar seu caderninho. Tentava escrever sobre a morte e sempre travava. As pessoas começaram a acreditar que estivesse maluco. Falava sozinho, chutava canudinho no meio da rua e chorava muito. Amava escrever e por isso foi ser apontador. “É o mais perto do jornalismo que eu posso chegar”, dizia. Por isso estava triste. E quanto mais triste, menos ele se concentrava.

 

Um dia os moradores acordaram com Budega gritando pelo Méier. Descobriu que dona Fátima fazia de verdade na Zona Sul. Não podia acreditar que era um fracasso também como apontador de jogo. Começou a quebrar o que encontrasse pela frente. Chorou. Em vinte minutos chegou a Guarda Municipal e pegou o caderninho de Budega: “Que que é isso paraíba? Tá escrevendo jogo do bicho em código dentro dos poemas? Tu tá enrolado, mermão...”. Budega pediu o caderninho. Na quebradeira havia rasgado o bloco de jogo do bicho. Agrediu um guarda. Foi preso.

 

Dona Fátima foi visita-lo com alguns moradores. Budega perguntou de seu caderninho e eles disseram que a Guarda apreendeu como prova de crime relacionado ao jogo. Budega ficou chateado... não era bandido. Seu crime era querer escrever. Seu crime era ganhar dinheiro sem roubar, para poder beber. Seu crime era a falta de oportunidade para ser jornalista. “E o pior”, dizia, “é que sem meu caderninho e sem as pessoas do Méier, eu sei exatamente o que escrever sobre morte: Morte é a não-vida que estou tendo aqui”. E foi o que encontraram escrito no lençol em que Budega de Sousa se enforcou dois dias depois.

 Consumado por Daniel às 12:04:48 PM
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"Aparício":

Aparício era sujeito orgulhoso. Nada de dar bom dia pra qualquer pessoa, nada de agradecer o homem do táxi quando o carro estava na oficina e nada de dar gorjeta ao mecânico quando tirava o carro de lá. Apesar disso não era odiado. Era cabra circunspeto, não calhava procurar briga com um tipo desses. Ainda mais agora, em cargo de chefia.

 

Chefe de revisão de manutenção de instalação de fios e cabos. Sua função? Ligar todo dia para os endereços visitados pela empresa no mês anterior e checar se os fios e cabos instalados estavam funcionando direito. Aparício fazia isso, sim. Sempre com uma prancheta em mãos e perguntas pré-programadas. Era o emprego dos seus sonhos.

 

Depois do expediente e após não dar boa noite para nenhum dos seus subordinados e apenas um mugido de “até amanhã” para seu chefe, Aparício chegava em casa, via o Jornal e ia dormir. Sim, senhor... essa era a vidinha besta que ele sempre quis: dinheiro bom, emprego fácil e cotidiano. Era a cara de um sujeito como Aparício. Mas ele era sozinho. Queria uma namorada, uma noiva, uma esposa. Queria filhos. Aparício era triste e tinha consciência disso. Ele não conversava com ninguém, imagine ter uma namorada!

 

Um dia Aparício estava com o carro quebrado. Maldito modelo 77 do Corcel! Vive fundindo o motor. Olhou para sua carteira e não havia dinheiro para pagar um táxi. Era final do expediente. Não ia pedir dinheiro para ninguém e não andava com cartão de saque. Aparício ia ter que pegar um ônibus. E assim fez, sem esperar que fosse encontrar uma bela mulher sentada no banco da frente do seu banco. Aparício estava encantado... mas incapaz de dizer um “olá”. Que absurdo! Ainda com uma estranha, ainda mais dentro de um ônibus.

 

Aparício começou a pegar o mesmo ônibus todo santo dia. Chegava em casa no último bloco da novela. Bebia. Pensava na mulher. Já havia reparado que ela não tinha aliança. Já havia se arriscado a sorrir para ela e ela retribuíra. Aparício escrevia poemas, alugava filmes românticos, era outro homem. Dava bom dia, sorria ao telefone, vendeu o carro para comprar roupas novas. Havia mudado. Mas canalizando anos e anos de silêncio e timidez para sua amada do ônibus. Seu silêncio (no caso de Aparício, sua essência) era todo dela. Todo.

 

Outro dia, Aparício estava disposto a conversar com ela. Estavam amigos de olhares, poderia dar um boa tarde. Mas ela não estava no ônibus. E no outro dia também não e assim durante muito tempo. E Aparício nunca teve coragem de perguntar ao trocador ou ao motorista ou a quem quer que fosse se eles sabiam onde estava aquela mulher. Voltou a ser circunspeto. Mas largou o emprego. Aparício fica agora o dia inteiro olhando para janelas de ônibus atrás de sua amada. Tem dias que dorme nos pontos de ônibus. E fica olhando janelas...

 Consumado por Daniel às 10:55:29 AM
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Le jour de glorie:

 

“Aquele que almeja vingança guarda suas feridas abertas”.

 

Domingo, 12 de julho de 1998. Em que lugar você estava? Qual idade você tinha? Eu estava em um churrasco com o pessoal do shopping (Walkir, Vanessa, Airton, ainda lembram de mim?) prontinho para assistir a final da Copa. Foram os primeiros rojões que eu estourei na minha vida. E seriam os últimos a partir daquela traumática tarde.

 

Eu amo Copa do Mundo. Eu paro o que estiver fazendo para ver a Copa do Mundo. Eu sou viciado em Copa do Mundo. Eu sei quase tudo de Copa do Mundo e eu fico de madrugada vendo Paraguai x Eslovênia em época de Copa do Mundo. Eu acompanho as Eliminatórias da Oceania para a Copa do Mundo (aliás, Vanuatu 9 x 0 Samoa Americana, dia 12 último). A única coisa que eu não vejo em Copa do Mundo são os primeiros jogos do Brasil. É um ritual: acho que não dá sorte...

 

Em 1994 eu não assisti os jogos contra Rússia, Camarões e o primeiro contra a Suécia. Em 1998 eu não vi os jogos contra Escócia e Marrocos. Fui ver o contra a Noruega: deu no que deu. Depois uma festa a cada jogo. Foi a época em que eu mais bebi na minha vida... a gente fazia a bebida típica de cada país!Brasil x Chile: caipirinha e vinho; Alemanha x Estados Unidos: chopp e Jack Daniel’s... era legal. Eu estava estudando Administração (éca!) na época; no dia do jogo Irã x Estados Unidos a gente cancelou um trabalho para ver o jogo. As meninas ficaram putas com a gente. Foi um ano e tanto.

 

Mas em 1998, mesmo com um trabalho estável e com a primeira tentativa de universidade algo foi roubado. Foi como se eu nunca tivesse feito direito meus 19 anos. Ora, eu sou viciado em Copa do Mundo e adoto futebol... imaginem como foi ver a seleção brasileira perder na final. Eu não chorei. Eu fiquei abismado, decepcionado, entrei em choque. Eu não acreditei por uns três meses. Na verdade só fui deixar de pensar nisso depois dessa Copa de 2002. Mas isso seguiu me corroendo. Os gols, o Rivaldo que quase levou um “Fair Play” de esquerda do Edmundo, a história mal contada do Ronaldo, o Leonardo marcando o Zidane...

 

É um amistoso, eu sei. Mas é o mesmo estádio, são os mesmos hinos que deverão ser executados antes do jogo e é a chance de ver uma Copa que pra mim, nunca terminou. Apagar esse fantasma, vencer a França nos domínios deles, buscar essa vingança. Eu quero. Eu trocaria a última Copa do Mundo por uma vitória nesse jogo. Quero muito ver o Brasil ganhar da França lá em Saint-Denis. Só pra morrer esse fantasminha que incomoda não só eu, mas qualquer um que ama de verdade a Copa do Mundo. E atire a primeira pedra quem não estiver sentindo o gostinho da vingança.

 

 França x Brasil: quinta-feira, 20 de maio às 16 horas.



 Consumado por Daniel às 10:53:06 AM
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Aniversários:

Dia 24 de abril fiz aniversário na Terra.

 

Acabo de descobrir algo interessante em mais um sáite que andei bisbilhotando... Descobri que se eu fosse marciano, teria nada mais, nada menos do que 13 aninhos de vida. Se eu fosse jupteriano (conforme desconfio), teria 2 aninhos de vida. Experiência de vida eu teria mesmo é se fosse mercuriano, onde tenho 103 respeitosos anos.

 

Atualmente eu sei que tenho um pouco mais de 13.157.600 minutos de vida e comemorarei o meu 20.000.000o. minuto de vida no dia 03 de maio de 2017. Meu primeiro ano vida saturniano será em 16 de outubro de 2008, por hora tenho apenas sete meses locais. Um mês de vida é o que eu teria em Plutão... meu pai, com 73 anos terrestres tem expressivos três meses e meio plutonianos.

 

Atualmente eu sei que tenho um pouco mais de 13.157.600 minutos de vida e comemorarei o meu 20.000.000o. minuto de vida no dia 03 de maio de 2017. Meu primeiro ano vida saturniano será em 16 de outubro de 2008, por hora tenho apenas sete meses locais. Um mês de vida é o que eu teria em Plutão... meu pai, com 73 anos terrestres tem expressivos três meses e meio plutonianos.

 

Festa mesmo só para minha mãe, que em 30 de agosto deste ano comemora sua 500.000a. hora de vida e para a Dani, que dia 23 de maio agora comemora seu primeiro ano de vida saturniano, numa grande festa que faremos aqui em casa.

 

Se deixasse minhas unhas crescerem desde que nasci teriam hoje 64 centímetros. Pisquei cerca de 132.000.000 de vezes na vida... vejam só. Quanto tempo de olhos fechados dá isso? Ficou curioso?

 

Tudo isso está no sáite re-date.com. Descubra os seus aniversários também.



 Consumado por Daniel às 10:31:22 AM
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