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Quem pariu Mateus...:

Não vou segurar a bandeira de ninguém e nem defender um lado ou o outro. Apenas quero lhes dar minha opinião sobre a tortura de presos de guerra iraquianos na prisão de Abu Grabri e sua repercussão interna no Brasil que na minha opinião só serve para tapar com uma peneira os nossos “pobrêmas” nacionais. A gente tem que limpar a nossa casa primeiro pra ter certeza que a barata veio do vizinho.
É claro que é condenável. É claro que ver um ser humano sendo tratado daquela maneira é horrível. Mas, e aquele mendigo que é chicoteado pela pobreza todo dia e nós podemos fazer alguma coisa? Ficar indignado é fácil, todo mundo fica. É óbvio que fica... mas o que vamos fazer? Pegar o primeiro vôo para Bagdá é que não vamos. A melhor solução é lutar sim, mas como formos capazes. Ser anti-Estados Unidos como nós somos é tão importante quanto ser anti-corintiano, anti-flamenguista e antibiótico para dor de barriga. Resolve pouco.
As revelações feitas por quem está lá devem (e serão) apuradas nos tribunais americanos e também por observadores internacionais. Nós pedimos contra a guerra. Nossos políticos já sabem nossa opinião. Nossa parte quanto ao fim da guerra no Iraque foi ali. A gente tem uma guerra por dia aqui mesmo em nosso território. O MST sem uma reforma agrária de verdade, os Sem-Teto sendo expulsos de prédios que estão abandonados há mais de um ano e isso sem falar naquele mendigo do começo do texto que continua lá, com fome. E se é o caso de ser contra capitalismo selvagem e contra violência, porque não protestamos quando nosso presidente saiu a caminho de negócios na China, sendo que lá não existe a expressão “direitos civis”? E aí?
Pobres dos ocidentais que estão com os terroristas e que sequer a Convenção de Genebra têm para se apoiar. Pobres iraquianos que detêm tantas riquezas e sofrem por ter nascido em uma terra ingrata e alvo de especulação. Pobres palestinos, expulsos de suas terras todo dia. Pobres argelinos que já sofreram muito nas mãos dos franceses. Pobres cubanos, vivendo sob um embargo covarde. Pobres americanos, reféns de sua própria sociedade de consumo. Pobres brasileiros que estão abaixo da linha da pobreza e sozinhos representam a totalidade da população da Argentina.
Pobre da gente que acha que a solução é parar de comer Big Mac para que tudo isso acabe.
E as eleições chegando...
Consumado por Daniel às 11:46:03 AM
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Mama África:
Acho interessante como para homenagear algum lugar ou pessoa a gente escolhe uma data para ela. Dia disso, dia daquilo. E acha que é muito bom pensar naquele lugar, naquela pessoa, durante esse dia. Dia 25 de maio foi o Dia Internacional da África. Mas disso pouca gente sabia. E o continente, coitado, fica lá jogado às traças e aos desertos. E o povo junto. Onde será que estão os “movimentos” afros nessa hora, hem??? Que coisa...
A África é o reflexo da merda que os europeus conseguiram fazem em 1880 durante a Conferência de Berlim. Sem respeitar nada e nem ninguém os alemães e outros povos da Europa começaram a “partilha da África” durante essa conferência e não respeitaram nenhuma fronteira tribal existente no continente. Como para eles (europeus) isso tanto fazia já que o interesse não era em mercado consumidor e sim em explorar as riquezas, deixou os povos inimigos viverem juntos.
Quando a África parou de gerar lucros e os levantes de independência contra as metrópoles apareceram os europeus puxaram o carro rapidinho deixando pra trás as fronteiras e junto com isso o crescimento de desigualdades presentes até hoje, resultado da guerra civil entre muitas tribos inimigas e que convivem no mesmo “país”. Em Ruanda por exemplo, uma minoria controla o poder do país, embora a grande maioria da população seja de outra etnia. Como isso aconteceu? Quando a metrópole ia embora, deixava o controle financeiro nas mãos da tribo mais baba-ovo sem se importar se eram maioria ou minoria.
Serra Leoa, Somália, Eritréia, Burundi, Congo, Togo, Botsuana... qualquer país africano é muito pobre e dependente às vezes de apenas um produto de exportação forte. Como é o caso do cacau na Costa do Marfim e da castanha na Guiné-Bissau. A indústria é muito limitada por conta da forte instabilidade política de seus países. Mesmo a África do Sul ainda tem problemas sérios a resolver como a desconcentração de renda. A Nigéria precisa arrumar a casa para o contingente populacional e o Zimbábue precisa de uma reforma agrária.
Mas, o continente que passa fome para abrir espaço para produtos de plantation, que passa por guerras tribais motivadas por uma colonização que sempre beirou a selvageria desde os tempos da escravidão, preserva boa parte dos mais belos e mais históricos locais do mundo. O Cabo da Boa Esperança, as pirâmides do Egito, O monte Kilimanjaro, a cidade-mercado de Timboktu, a ilha de Madagascar... eis um continente que descobre no turismo e na forte relação comercial com países vizinhos uma fonte de renda para fugir do desrespeito com que o mundo o tratou nos últimos 600 anos.
Consumado por Daniel às 11:20:30 AM
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Fazer obra, fazer merda:
Tenho a estranha sensação de que eu posso ser mais chato do que sou capaz de reconhecer: Estão fazendo obra aqui em casa e eu prefiro ficar longe da obra. Obra em São José dos Campos era sinônimo de merda. Fazer obra = fazer merda.
Odeio dia de obra, dia de mudança e qualquer outro dia desses em que eu precise mudar minha rotina em função de uma presepada qualquer que eu não goste. Não entendo lhufas de tubulação e tenho que fazer cara de que sou o maior encanador do mundo para não passar por um imbecil (coisa que eu também detesto).
Assim, fico aqui pra dentro da casa e só vou lá na cozinha ver como andam as coisas vez por outra. Nem fico falando “e aí, encontrou a entrada em “L” que se liga ao cano adjacente?” e tampouco conto todos os talheres da casa para ver se estão todos lá. Apenas olho. Mesmo que eu não veja nada além da minha cozinha quebrada. Mas eu olho. E fico entocado. Meu até logo é um “se precisar de alguma coisa...” acompanhado de uma cara de... agrião.
Pois bem. Daqui a pouco estou aqui quieto após minha ronda e escuto a vizinha entrando na minha casa, fumando, enrolada em um roupão vermelho e dando palpites. Claro, antecipei minha ronda e fui ver do que se tratava. Fiquei calado com aquela cara típica de “o-que-você-está-fazendo-na-minha-casa-sem-minha-autorização-?” durante uns cinco minutos até ela me perceber. Os encanadores deram risada mas eu não. Tirei a mulher de lá fazendo questão de mostrar a ela a serventia da casa.
Eles, achando que eu iria voltar sorrindo e achando aquilo absurdo, viram que voltei com cara de bravo e achando aquilo absurdo. Porra, deixo a porta aberta não para que minha casa vive o Amparo Madre Teresa. Deixo aberta pra justamente não ter que ficar indo lá toda hora. Falta de atenção deles e de noção da mulher, lógico. Perguntei como ia a obra (obra = obra) e estava indo tudo bem.
Acho eles limpinhos demais. Encanador bom é aquele que fode sua casa toda de sujeira e ainda pede copo d’água. Quando ele fala “está indo tudo bem”, por dentro ele deve falar “não enche, porra! Não consegue ver como está indo a obra (obra = merda)?”. Mas tudo bem porque eu sempre meu saio bem com o “se precisar de alguma coisa...” querendo dizer “demora muito não, hem... termina logo essa merda (merda = obra) porque não gosto de muito agito dentro de casa”.
Consumado por Daniel às 10:31:09 AM
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Greves no ensino:
A greve é um direito adquirido pelos trabalhadores por uma lei de 1977. A “Lei de Greve” estabelece em seu Artigo 8o., que empresas que se destinem à satisfação de necessidades sociais impreteríveis devem assegurar a prestação de serviços mínimos durante a greve. Aí entram correios, bombeiros, médicos, funerais, água, energia elétrica e... onde está o ensino? Por que o ensino não é considerado uma necessidade social impreterível? É assim que os governantes nos vêem? Podemos muito bem passar sem educação?
A lei é do tempo dos militares. Nessa época as universidades garantiam um ensino mecânico das disciplinas. Não havia discussão. Não havia matéria que não buscasse um objetivo exato, sem margem para opções. É de se acreditar que as pessoas tivessem outras oportunidades de trabalho além do ensino superior. Não havendo discussões e com um país pungente de metalurgia, ninguém quis discutir o tal Artigo, acredito.
Anos 80. Quando a bolha de crescimento explodiu, além de nos deixar com uma dívida faraônica visto os juros internacionais da época, deixou uma massa de desempregados, mal-assalariados e desqualificados. Todo mundo foi se especializar para se adequar ao maquinário novo que vinha de fora onde o ensino é respeitado. Equipamentos foram comprados e professores contratados para ensinar a nova tecnologia do Setor Secundário aos trabalhadores. Mas a Lei de Greve, não mudou. E os investimentos em pessoal diminuíram pois a necessidade de mão-de-obra foi sendo substituída por novos avanços.
Anos 90. Vamos à escola. Vamos à universidade. Aprendemos novas tecnologias mas os investimentos são poucos para aquisição de material. O país vai sendo superado em termos de qualificação da mão-de-obra, os professores vão sendo mal remunerados e ensinam técnicas dos anos 80. Começa o período maior das greves. E os alunos que não tem culpa de nada, nem dá má formação e nem da má remuneração dos professores ficam reféns do Artigo 8o que não garante a eles a continuidade do ensino. O professor sempre “tão interessado” em ajudar o aluno dá as costas para esse, agora. “Foda-se o aluno, eu quero o meu”. Se fossem bem remunerados e o equipamento continuasse ruim, quem acha que eles brigariam por direitos?
Nem tudo que é legal é moral. Aprendi isso em Direito. Se não houve investimento é necessário que haja denúncia pois há recursos e verbas para isso. Houve desvio, houve politicagem. Alguém fez isso. Ou pra prejudicar o aluno ou pra prejudicar o professor. Uma comissão deve avaliar isso sem deixar os alunos ociosos por até um ano letivo. Aquele pode ser o ano da formatura de uma turma ou o primeiro ano de outra. O que há é falta de liderança estudantil. Todo mundo grita e ninguém sabe bem o porquê. Os professores deveriam garantir as aulas para os alunos. Há maneiras e maneiras de se manifestar. Não escolheram ser professores? Então que se organizassem direito nos sindicatos sem deixar a bunda de quem ralou pra entrar numa universidade pública na janela.
Consumado por Daniel às 09:28:37 AM
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