Rock in Rio - Lisboa:

O Rock in Rio é uma marca. Pois foi com essa afirmação que saiu o nosso grande empresário responsável pela realização do evento. Por isso levou o festival que nos pertenceria para fora do Brasil. Está explicado? Não vejo por quê...

 

Será que é realmente a difusão da cultura brasileira que está sendo a mola que impulsionou o nosso festival carioca para ares lusitanos e posteriormente será levado a Nova Iorque? Ou talvez a possibilidade de um maior lucro em terras de dinheiro valorizado tenha entrado no mérito da questão. Vejamos: uma entrada para o Rock in Rio de 2001 era cerca d 10 euros. No evento desse ano, estão cobrando dos patrícios a bagatela de 53 euros (180 reais). Com um salário mínimo brasileiro não se compra duas entradas para o Rock in Rio. Com o salário mínimo português, compra-se quase 7. E se você vier da França que é ali pertinho, com seu salário mínimo leva 21 entradas.

 

Os organizadores também levaram em conta a violência urbana no Rio de Janeiro. Discordo. Na Europa, uma festa com grande contingente de jovens é muito mais atrativa para os terroristas do que a mesma festa no Rio. Quer perigo maior do que ser atacado e morto dentro da festa? Ou ser assaltado é ainda pior? E no nosso carnaval, quantas vezes se ouviu falar que iríamos patrulhar ostensivamente isso ou aquilo por medo de ataques terroristas? Pode ser negligência nossa, mas o fato é que não somos visados como a Europa. Mas talvez os gastos com segurança gerem mais lucro por lá.

 

Os organizadores então revelam que o festival (que chegou a ser marcado para 2003 no Rio) foi cancelado por causa de uma crise geral motivada pelos atentados de 11 de setembro. Ou seja: terrorismo. E nessa simples afirmação ele contradiz em muitos termos os fatos que o levou a realizar o nosso evento fora do Brasil: transmitir nossa cultura ou possibilidade de gerar mais lucro? Por um mundo melhor ou por um bolso maior? Talvez não tenham encontrado patrocínio de empresas brasileiras. Não sei.

 

Endossando tudo isso está o nosso Ministro da Cultura, Gilberto Gil, acreditem. O homem ao invés de querer brigar por deixar nosso festival aqui foi pra lá fazer shows. Ao invés de ajudar a buscar os investimentos necessários para não perdemos o Rock in Rio, estará lá em Lisboa fazendo uma apresentação e tocando “Imagine”. Aqui no Brasil o absurdo já vem pronto. Não precisa nem sair de casa mesmo.

 

Assim, se você é fã de Paul McCartney, Evanescence, Metallica, Sting, Slipknot ou Foo Fighters e não têm grana para ir a Lisboa, agradeçam a falta de verbas para realizar um festival no Brasil e mandar ele, como nome e tudo para Lisboa. Saibam também que a cultura brasileira a se divulgar no Rock in Rio Lisboa é a cultura baiana (Gil, Ivete Sangalo e Daniela Mercury). Saibam também que por um motivo parecido a gente perdeu o Fórum Social Mundial para a Índia em 2004. E que Woodstock foi realizado mais de uma vez, mas nem por isso mudou de país.

 Consumado por Daniel às 10:20:42 AM
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O dia em que as palavras acabaram:

Nunca fui muito de escrever poesias e confesso que não é o meu forte. Porém, o post de hoje é um poeminha que fiz dentro do ônibus há algumas semanas. Abraços a todos e até amanhã. Se pudessem, que palavra nova inventariam? (na pop-art aí em cima sou eu).

“O dia em que as palavras acabaram”

 

No dia em que as palavras acabaram,

Não havia mais nada que não pudesse ser dito

Tudo já havia sido escrito e ouvido

No dia em que as palavras acabaram

 

Agora qualquer coisa era plagiar alguém

Não havia características de movimento cultural

Não havia indícios de envolvimento emocional

No que em que as palavras acabaram

 

Estamos num mundo sem paixão e sem amizade

Qualquer fala de amor, qualquer um fala de saudade

No que em que as palavras acabaram, a verdade

É que foi o dia do velório da criatividade.



 Consumado por Daniel às 11:40:39 AM
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Sexta-feira passada, no metrô:

Eu, puto e com duas sacolas entro no ônibus do Metrô. Demora, demora, demora, eis que entra um gringo e senta-se falando alto ao celular. Senta-se do meu lado. Ele fazia o tipo Backstreet Boys e ainda gritou no celular mais duas vezes antes do ônibus seguir viagem. Relaxei. Ele não tinha culpa de eu estar puto.

 

Problema número um: não gosto de cara metido a engraçadinho e que fica olhando pra tudo que é mulher na rua e mexendo com elas. Acho que até pra isso existe hora e lugar. E como ali não havia a menor possibilidade de reciprocidade por parte das meninas que ele via, logo ele estava sendo um babaca;

 

Problema número dois: Eu detesto babacas. E ele praticamente se jogava em cima de mim e das minhas sacolas para olhar as mulheres na rua. De vez em quando arriscava um “pretty good...” pra puxar assunto. E eu quieto.

 

Quando o ônibus saiu a coisa foi piorando. Cada mulher de Copacabana que ele via ele tirava a roupa dela com os olhos. E quando a merda do celular tocava, ele atendia gritando... claro.  O ônibus parou em frente a uma loja de música e eu fiquei namorando um contra-baixo que está a venda lá... então ele começou o diálogo (droga!):

 

- Você toca? (com português arrastado)

- Não... mas quero aprender.

- Eu toco. Um violão grande de quatro cordas como aquele ali.

- Aqui nós chamamos de baixo.

- Eu gosto de tocar. Gosto do Brasil. Me encantei pelo Brasil.

[eu] (sorriso de fim de papo)

- Sabe o que eu mais gosto do Brasil?

- Han...?

- Da mulherada!!! (e ele me apontou uma loira bunduda no fim do ônibus)

[eu] (sorriso de fim de papo)

- Quero dizer... da facilidade para conseguir a mulherada!!! (fez com os dedos aquele sinal de dinheiro)

 

Ah, aí fudeu... e ele escutou o que não queria:

 

- Você é só mais um gringo desses que vem no Brasil e sai deslumbrando com a primeira bunda que vê na frente. Pra conseguir mulher aqui você precisa pagar. Mane! Tem a oportunidade de conhecer a cidade mais bonita do mundo e ao invés de aproveitar o lado cultural e musical para conquistar uma brasileira é só mais um desses caras que compra postal de  bunda em banca de Copacabana e vem aqui fazer turismo sexual. And if you need I can translate it to you, dude!

 

Uma galera do final do ônibus deu muita risada e me aplaudiu. Melhorei da minha emputecida e o cara desceu no primeiro ponto que viu... Gringos rotos. Alguns são gente fina, mas a maioria quer passar por malandro e são justamente esses que vivem comprando o Pão de Açúcar por aí. Fiquei com raiva. Vai desrespeitar mulher lá no Alabama. Aqui não.

 Consumado por Daniel às 10:13:53 AM
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O Velhinho:

Tem alguma coisa mais legal do que em uma sala de espera ou andando na rua ou numa fila de banco ou em qualquer lugar que seja, encontrar um velhinho simpático perto de você? Eu acho que não. Bebês também são legais, mas acho os velhinhos mais bacanas.

 

Uma vez na fila do dentista tive oportunidade não só de encontrar, como também conversar com desses senhores. Notei que sua governanta estava sem paciência e me aproveitei pra puxar papo com ele: disse que trabalhou até os 87 anos num banco, parou por conta de uma doença relaciona da ao stress. “Eu não sou estressado, bah!” disse sem me convencer muito com o empurrão que deu no ar.

 

Perguntei o que viera fazer no dentista. Ele ficou me olhando, me olhando, me olhando, decepcionado... acho que ele pensou em responder alguma coisa do tipo “vim comprar um quilo de arroz, e você?”, mas viu que iria perder a única oportunidade de escapar da televisão e da governanta. Ele não falou nada... quis reclamar do calor que realmente aqui no Rio vinha castigando, depois falou de futebol e reclamou da demora na fila, claro.

 

Sei que ele não parece um velhinho lá muito simpático, mas era. Aquele óculos de fundo de garrafa, aquele gorrinho a lá boné de menino italiano da novela das oito e a impressionante saúde para um senhor de 90 anos de idade. “Eu nasci em 1913...”, me dizia, “...um ano depois começou a guerra”, disparou com ares de orgulhoso. A dentista me chamou quando ele ia desenvolver esse assunto. Me despedi do meu amigo sem sequer saber o nome dele. A governanta falou algo como se fosse a última sessão dele. Não o verei mais, talvez... mas, se eu chegar aos 90 anos quero ser simpático como ele, apesar de rabugento. E ter muita história pra contar sem dentista e nem governanta pra encher o saco.

 Consumado por Daniel às 09:51:45 AM
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Fly me to the Moon:

O último grande apelo promocional que me chamou a atenção foi a promoção da Volkswagen “Procura-se um astronauta”. Porque é genial, ninguém havia antes pensado nisso. Claro que ninguém vai te levar pra passear na Estação Internacional, mas convenhamos que realizar um vôo em uma nave à 100.000 metros de altura não é nada mal.

 

Em 2001 o milionário americano Dennis Tito foi o primeiro turista espacial a de fato conhecer a Estação Espacial Internacional. O preço da viagem, algo em torno de US$ 20 milhões de dólares é astronômico (com o perdão do trocadilho) para nós simples mortais. Por isso, nossa idéia de turismo espacial ainda é uma musa inatingível, embora esteja evidente que em 60 ou 70 anos talvez já haja o primeiro Hilton na Lua.

 

A promoção da Volks escolherá 10 pessoas para visitar Moscou e a Cidade das Estrelas, onde os cosmonautas russos são treinados. Deste 10, um será escolhido para a viagem a 100km acima da atmosfera. Para se ter uma idéia a maioria dos caças voam à altitude máxima (chamada de teto operacional) de 20km acima do chão, o que já representa muita coisa. Ou seja, voar a 100km acima do chão é praticamente ser mesmo um astronauta e para nós representa uma chance única de faze-lo.

 

Independente do merchandising grátis que estou fazendo pra Volks, temos que considerar que é um sonho de todo mundo fazer essa viagem espacial. Algumas pessoas pensam mais no assunto e comprar desde telescópios de R$ 100,00 até viagens de US$ 20 milhões de dólares que equivale a pouco mais do que o maior prêmio pago pelas loterias do Brasil. É só ver um filme sobre o assunto que nossa imaginação viaja até aquela situação de estar no desconhecido.

 

O que passa é que foguetes, astronautas, ver a Terra todinha pelo lado de fora, vendo onde é noite e onde é dia, apreciando os oceanos e ver o  espaço ali de pertinho é na minha opinião a maior jogada de marketing da História. Foi perfeito o apelo comercial deles por tentar seduzir o consumidor onde ele é muito vulnerável: os seus sonhos de infância. E aí todo mundo é pego pelo pé, lembrando que ficava fazendo nave espacial com Lego. Covardia com as outras fábricas de automóveis.

 Consumado por Daniel às 10:56:28 AM
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Bafo:

Alguém tem o Histro Stoichkov pra trocar? Eu tenho essas aí e mais algumas. Se interessar para alguém. Pra mim só falta o Stoichkov.



 Consumado por Daniel às 12:58:17 PM
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