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Acasos:
Tem coisa que tem que acontecer por acaso pra ter graça. Encontrar uma pessoa da família na rua, por exemplo. A Dani e eu já passamos por isso em Copacabana uma vez quando encontramos a irmã e a mãe dela dentro de uma loja. Aqui no Rio imaginem o quanto isso pode ser surpreendente. Em São José dos Campos já assim o era. Aqui então...
É de repente que agente ganha fortunas também. As apostas em uma rodada da Mega-Sena revelam isso. Há uma chance em um milhão de se ficar milionário (ou até menos) com uma aposta. Nada mais ao acaso do que isso. Há, porém outras fortunas (mais valiosas, aliás) que a gente recebe por acaso e geram uma das sensações mais gostosas do mundo que é a de descobrir novos amigos. Todo mundo passa por isso todo dia. Até aquele amigo de 40 anos já foi um amigo de um dia para isso.
Eu digo a vocês que certa vez entre um clique e outro encontrei um blog de um pessoal de São José dos Campos e me surpreendi com a proximidade de pontos de vista que tínhamos. Aborrecido com a cidade que eu sou achei improvável que fosse se refletir um verdade. “Deve ser um acaso. Eles devem ser como todo mundo dessa cidade.” Foi o que eu pensei. Pouco tempo depois desci do meu pedestalzinho de protótipo de ser-humano e descobri pessoas com uma capacidade incrível de cativar por intermédio das palavras. A começar pelo Bill e depois os demais componentes do blog Monolito. E quando pensei que tudo se limitaria a isso ainda de lambuja conhecio blog da Maíra Viana, o blog Muiraquitã do Dom e por fim o Marcão do Mytsuplik.
Por acaso eu estava em São José dos Campos e mais por acaso ainda consegui postar algumas vezes de lá, mesmo com um computador horroroso. Por acaso o Bill leu e deu um jeito para tentar entrar em contato comigo e eu consegui falar com ele. No improviso nos encontramos em um ponto de ônibus sem nunca termos nos visto antes. Quase não aconteceu o encontro por causa de uma secretária eletrônica. Mas lá estavam eles e eu, agora dentro do carro rumando pra casa do Marcão. Eis esse acaso e seu caprichos fazendo valer suas artes da vida. Conheci pessoas ótimas, com excelente vocação musical e um pé atrás com Casseta e Planeta. E foi tão por acaso quanto deve ser o início das grandes jornadas pelo caminho das amizades. E que seja possível trilhar esse caminho com eles e com tantas outras pessoas que lêem o meu blog. Abraços aos Monolitos todos, ao Dom e ao Marco. Foi muito bom o encontro improvisado. Que tenha sido apenas o primeiro.
Consumado por Daniel às 07:38:46 PM
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En Passant (e com link consertado):
Fiz um fotolog. A idéia é ele ser tipo um espaço complementar a esse blog. Com desenhos e coisas assim. Quem quiser visitar é só clicar aqui ó.
Tá todo pobrezinho ainda... vamos ver se ele cresce. Não prometo nada.
Tem post novo pra entrar, vamos ver se ele entra hoje. Prometo menos ainda... *rs
Consumado por Daniel às 08:43:09 PM
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Será que é de propósito?
Vejam que arbitrariedade aqui em São José dos Campos, a terra que passarinho não bebe: Houve um inteligentíssimo programa de desfavelização que consistia em empurrar com a barriga os pobres locais para áreas tão escondidas e tão sem perspectiva que nem dadas o povo queria. Literalmente, aliás, pois teve quem só fosse sob escolta da tropa de choque. Nada de hospitais, nada de boas escolas, nada de delegacia, nada de asfalto e infra-estrutura semelhante a de qualquer lugarejo do Afeganistão. Mas a cidade ficou linda sem as favelas... vejam só! O povo joseense (os argentinos de São Paulo) pode andar na rua e dizer de boca cheia: "na minha cidade não há favelas". O pior cego...
Tenho plena convicção que nossos políticos não gostam de filmes nacionais. Tivessem assistido "Cidade de Deus", ao menos os vinte primeiros minutos e não fariam o que fizeram. Os pobres daqui foram empurrados para o Jardim Santa Inês 2, afinal além de desfavelizar, agora o poder público ainda pode cobrar os impostos. Sem falar que foi da maneira como eu lhes descrevi: dignamente desfavelizados e desasfaltados, desescolarizados, desospitalizados e excluídos. E, para piorar, foram membros de várias favelas para o mesmo bairro resultando em uma guerra de quadrilhas pelo controle do tráfico de drogas no lugar, com direito a toque de recolher, poder paralelo e tudo. Não é uma maneira exemplar de se administrar um município?
Nos jornais de hoje, 4 de julho, um delegado entrevistado sobre o assunto disse que já era esperado que houvesse essa guerra de tráfico. Mas... como assim o programa foi mantido se a guerra era prevista? Porque não se pensou nisso e porque nossa polícia e guarda municipal foi ágil durante a retirada da população? As ruas do bairro são de terra, o que dificulta a ação policial. Mas por que não se garantiu asfalto para essa gente antes de fazer a transferência? Por que não se garantiu trabalho efetivo e programas de inclusão eficientes para jovens e adultos? E será que alguém pensou nos que poderiam ser demitidos pelo chefe pelo simples fato da pessoa estar morando no cú do judas? Como tirar essa pessoa do caminho das drogas e que tipo de indenização proporcionar?
Quando eu falo daqui, vocês não acreditam...
Consumado por Daniel às 07:05:43 PM
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