For sale:
Eu nunca vi uma vitória-régia in loco durante toda a minha vida. Menos ainda uma onça-pintada ou uma aldeia indígena. Tucano eu só dois, no Parque da Cidade em São José dos Campos. Mogno eu conheço dos móveis da casa da minha mãe e olhe lá. A maioria das pessoas que habitam o Brasil vivem essa mesma realidade. A exceção é o povo dos estados do Norte, além do Maranhão e Mato Grosso. Ainda assim, uma parte dessas pessoas quase nada têm a ver com a Amazônia. Desse modo é que quero começar o texto com a seguinte pergunta: por que nos ofendemos tanto quando alguém fala que quer transformar a Amazônia em área internacional? Por que a gente não vende logo nosso território florestal e paga a dívida externa com o dinheiro?
Tecnologia para explorar o que tem lá dentro nós não temos, o solo é pobre para agricultura e mesmo assim para povoar a região haveria desmatamento e protestos internacionais sérios, os gastos com vigilância são altos para um país pobre como o nosso e a maioria das armas ilegais e boa parte das drogas ilícitas que alimentam o tráfico passam pela Amazônia. Então... pra que mantê-la? Soberania nacional? Que soberania tem um país com a segunda maior dívida externa do mundo que sozinha representa 25% da dívida mundial? E a representação da soberania é bem maior do que um grande território de florestas. Nem os outros países e nem a gente domina a floresta. Basta lembrar que a maior parte da biodiversidade amazônica ainda nem foi catalogada.
Por que aceitamos problemas como madeireiras ilegais, pistas de pouso clandestinas e invasão de mineradores em áreas delimitadas para indígenas? Se vendêssemos o “pulmão do mundo” (balela!) teríamos dinheiro para investir em programas sociais capacitação tecnológica e empregaríamos toda a população nortista em novas atividades no eixo Centro-Sul. Sem a dívida seríamos verdadeiramente independentes, o que faria o poder aquisitivo nacional atingir os patamares europeus médios e nos permitiria até fazer turismo na Amazônia, com direito a passaporte e tudo. Hoje em dia o turismo por lá já é voltado para o público internacional mesmo. Qual brasileiro tem dinheiro para pegar um avião e conhecer o Xingu? Qual tem grana pra pegar um ÔNIBUS e pagar o hotel?
Esse papo de orgulho nacional, de defesa do território, cultura indígena e potencial tecnológico é muito superficial. Hoje já sabemos que o silício é encontrado na Bahia, se quisermos exportar; e podemos exigir no protocolo de venda da Amazônia alguns pontos que nos permita receber os benefícios encontrados na floresta sem acréscimo tributário. Para quem mesmo assim acha um absurdo eu ressalto que a gente já quase aceitou proposta muito pior pelo aluguel da base de Alcântara no Maranhão para os EUA. Nem ao menor intercâmbio de tecnologia haveria no acordo! Mas se o assunto for tecnologia, a gente pode lembrar que no Brasil ainda se morre de diarréia. Qual o benefício tecnológico que o povão recebe?
Consumado por Daniel às 09:30:50 AM
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Hay gobierno?
Devo confessar que adoro esse clima de eleições. As eleições para prefeito em especial, simplesmente por ser algo extremamente abrangente no que tange à política local. As eleições para vereador são ainda mais estupendas com direito a vários candidatos submetidos a qualquer coisa atrás do meu voto. Ou do seu. O programa eleitoral gratuito permite que cada um de nós assista, democraticamente, a inserção de dez segundos da campanha desses candidatos a vereador. Muitos com boas propostas mas que se acabam entrando, o máximo que fazem é apresentar projetos para mudança de nomes de ruas, alguns muito bons que sempre entram, outros que se elegem no melhor estilo República Velha e os show-man que se candidatam só pra ver o que dá.
O que mais me impressiona é o vale-tudo empregado pelos candidatos a vereador Brasil a fora. Cada um defende uma classe trabalhadora específica e muitos outros buscam votos dentro de igrejas pentecostais, centros umbandistas e até mesmo igrejas católicas. Talvez não tenham lido que a Constituição prega a separação entre Estado e Igreja. Se bem que o povo de maneira geral é muito influenciável pela igreja, o que deve dar votos a rodo para candidatos esquisitos. Se bem que a maioria prefere mesmo é o marketing pessoal dos programas eleitorais.
Em São Paulo há um candidato que é cover do Enéas e que, se eu não me engano, até ganhou para a Câmara paulistana. Em São José dos Campos tem o Margarida, candidato gay cujo bordão era “tente, invente, vote em um candidato diferente”. Recebeu apoio até do Ratinho para as eleições. Outros exemplos são Maria Chupetinha (Rio de Janeiro), Peru do Escapamento (Paracambi), Uilson Pé-no-Chão (Nova Iguaçu) e Pipoca Nota 10 que concorre com o Peru do Escapamento em Paracambi.
Se por um lado é engraçado o nome desses senhores, não podemos esquecer que política (mesmo local) é coisa muito séria. Não se elegem nem síndico sem conhecer as propostas dele. Caso contrário a gente corre o risco de ver em nossas cidades, acontecer absurdos como os seguintes projetos que já foram votados por aí, tipo frentes de trabalho para escovar pedras nas proximidades de rios, emplacamento de animais domésticos, aeroporto para discos voadores proibição de homossexuais na cidade e até distribuição de Viagra e amendoim visando aumentar a população da cidade.
É importante não votar em megalomaníacos, gente que acha que pode tudo. Eu continuo achando engraçado e não perco um horário eleitoral para ver quais os mais novos candidatos a vereador que estarão ali na tela da TV. De sambista a empresário, passando pelo trocador de ônibus e pelo camelô, o certo é que todo mundo atira no escuro a fim de obter um emprego público rentável. Se questionarmos a maioria sobre legislação, é capaz de mudarmos de país de tanto medo das respostas.
Consumado por Daniel às 09:33:07 AM
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